Fim do papel?

1 de novembro de 2011
Num mundo em que o suporte multimédia começa a ganhar cada vez mais terreno, há uma questão que se impõe: será que os livros, revistas e jornais em papel têm os dias contados? Será que a evolução natural das coisas e as mudanças de hábitos nos farão esquecer o papel, ou será que, apesar de tudo, as pessoas nunca o irão pôr de lado?





É uma questão na qual não pensamos tanto quanto devíamos, pelo menos a minha geração, porque o suporte multimédia entrou nas nossas vidas cedo, subtil e naturalmente, conquistando-nos imediatamente. Deparei-me com esta questão numa aula de Direitos de Autor e não pude deixar de pensar um pouco sobre ela.

A verdade é que a internet satisfaz todas as nossas necessidades (e mais algumas) e disponibiliza-nos tudo aquilo de que precisamos no dia-a-dia. Os jornais que compramos diariamente estão disponíveis na net; as revistas que gostamos têm sites; a matéria para as aulas está resumida na net. Até os livros já podem ser lidos num ipad! Desde dicionários a receitas de culinária, tudo é acessível através de um computador, ipad ou smartphone. Sempre que temos de fazer uma pesquisa, raramente vamos a uma biblioteca ou usamos a enciclopédia gigante que temos em casa, vamos à Wikipédia. Sempre que temos uma dúvida, não vamos a um livro, a um dicionário ou a uma gramática, vamos ao Google. Estamos na era do "Google it". É incontestável que a internet e os novos gadjets (ipad, iphone, blackberry) vieram facilitar a nossa vida. A informação é acessível, rápida, prática e eficaz, num mundo em que as pessoas (acham que) têm cada vez menos tempo.

Mas será que esta evolução passará pelo fim do papel? Não me parece que cheguemos a esse ponto tão cedo. Não sei como será no próximo século (se calhar vamos mesmo andar em carros voadores como se vê nos filmes e desenhos animados), mas por enquanto não me acredito que a tecnologia consiga alterar tanto os nossos hábitos ao ponto de nos fazer "arrumar os livros para canto" e esquecer que o papel existe. Acho que vai continuar a haver este equilíbrio. Apesar de passar horas na internet, não conseguia viver sem os meus livros. Convenhamos que ler um livro no ipad não é ler um livro... é ler o ipad! E as minhas revistas de moda, que me fazem tão feliz no início de cada mês, nunca as irei abandonar. E os jornais? Um jornal, para ser jornal, tem que ter aquele cheiro esquisito a uma mistura de papel e tinta, tem que ter aquelas páginas fininhas que se descontrolam com a mínima rajada de vento. Embora não pensemos nisto, porque convivemos com o papel todos os dias e a toda a hora, ele proporciona-nos boas sensações, bons momentos.

Depois de pensar bastante sobre isto, acho que apesar de a internet ser aquela amiga que está sempre lá para nós, os livros, revistas e jornais continuarão a ser os nossos melhores amigos, jamais esquecidos. As sensações de tocar, folhear e cheirar são definitivamente melhores, únicas. O suporte multimédia pode ganhar o terreno que quiser (nós até agradecemos), mas não vai conseguir substituir o insubstituível.
1 comentário on "Fim do papel?"
  1. Já pensei nisso várias vezes e numa coisa podes ter a certeza, uma pessoa que aprecie um bom livro, uma boa revista e até mesmo um jornal nunca vai trocar isso pela leitura on-line. E os que o farão na próxima geração não vão saber o que é ter um livro novo nas mãos e abri-lo para o começar a ler e devorá-lo até ao fim com o cheirinho ainda de novo ! Nós vamos permanecer na era do papel.

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