S. Tomé

7 de janeiro de 2012
Depois destes dias, consigo descrever S. Tomé em algumas palavras: vegetação abundante, praias maravilhosas, população pacífica e simpática, muita pobreza, muito calor e, principalmente, bastante humidade. Nos primeiros dias estive no Ilhéu das Rolas, que fica a duas horas e meia do aeroporto, mais 20 minutos de barco. Fiquei no Resort do Pestana. O Ilhéu é um sítio absolutamente fantástico, paradisíaco. Os dias eram divididos entre a praia, a piscina do Resort e alguns passeios pela ilha.




As praias são maravilhosas, com areia clara e água transparente, à temperatura ideal. O Resort está muito bem situado, perfeitamente enquadrado na natureza, embora um pouco degradado. É uma pena que não haja mais empenho em aproveitar aquele local maravilhoso e manter o hotel num estado digno. O grupo Pestana diz que fará brevemente um investimento, esperemos que sim. No interior, a pouca população divide-se por pequenos bairros extremamente pobres, rodeados de lixo e pocilgas, sem qualquer saneamento. Os S. Tomenses, infelizmente, não conseguiram evoluir desde os tempos da escravidão, o que se reflecte na ilha, que está bastante poluída. Mais um ponto onde o Pestana devia intervir. A 15 minutos do hotel, está o marco do equador, feito pelo almirante Gago Coutinho. Parece que errou por 6 metros na localização da linha equatorial, mas ainda assim é uma experiência engraçada subir até lá e pisar a linha.



Na noite de passagem do ano, a festa começou às 6h da tarde na piscina. Durante o jantar e o resto da noite, o pessoal do hotel animou a festa com as suas músicas e danças típicas (que tentamos dançar, sem qualquer espécie de sucesso). Foi bastante animado. A certa altura já nenhum empregado estava a trabalhar, estavam todos a dançar connosco. Coitados, demoraram 2 dias a recuperar daquela noite... 



Nos últimos dias fomos para o Pestana de S. Tomé. Um hotel incomparavelmente mais citadino, localizado na marginal. Ali, o serviço já é melhor, o pessoal do hotel já tem alguma formação hoteleira, ao contrário do que acontece no Ilhéu das Rolas. A piscina é simpática, com uma vista óptima para o mar e para a longa marginal. Depois de um longo descanso no Ilhéu, decidimos que os nossos dias em S. Tomé seriam mais activos e turísticos.

Num dos dias alugamos um jipe para dar um passeio pela ilha e almoçar na Roça de S. João, que ficava a uma hora do hotel. O caminho é bastante atribulado em termos de ruas esburacadas, mas não havia um S. Tomense que não nos acenasse a sorrir quando passávamos. As crianças ficam doidas e começam a pedir doces, de mão estendida. E adoram que lhes tirem fotografias, fazem logo pose. É preciso ir com cuidado porque eles andam todos no meio da rua, assim como os porcos e os cães. Vê-se crianças de 8 anos a tomar conta de bebés de 3 anos, sozinhas no meio da rua, à procura de fruta. Vê-se as mulheres nos riachos a lavar as roupas, que depois estendem em cima de pedras ou plantas para secarem. No geral, há uma grande inércia, uma tranquilidade acentuada, uma falta de objectivos. Encaram a vida no presente, vivendo um dia de cada vez. Como eles próprios dizem, "leve leve". E é mesmo com extrema leveza que vivem. Parecem felizes. Mas só o podem ser porque não conhecem outra realidade, caso contrário não existiriam quaisquer condições para haver felicidade ali. Passado uma horinha, lá chegamos à Roça de S. João, conhecida pelo seu cozinheiro, que tinha um programa de televisão chamado "Roça com os Tachos". Comemos divinamente. A Roça é muito bonita e está muito bem cuidada. Com aquela humidade toda, é complicado manter uma casa em bom estado. Voltamos para o hotel ainda antes de ficar noite. Lá anoitece às 18h. Fomos bastante prevenidos em relação aos mosquitos portadores de malária mas não vi nem um, nem no ilhéu nem em S. Tomé. Em compensação, estávamos permanentemente rodeados de osgas, caranguejos, lagartixas e baratas. De novo em casa, posso dizer que gostei muito da viagem, foi além das expectativas. O longo voo de 6 horas (em aviões com pouco espaço), acumulado com as duas horas e meia de camioneta por estradas esburacadas, faz com que seja uma viagem bastante cansativa. Mas vale a pena o esforço quando o destino é paradisíaco!













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